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Pós-Graduação_02 . Vídeo-Dança

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Apresentação

A dança está muito marcada pela premissa presencial do corpo, esta peculiar condição garantiu à exploração e fixação de imagens em movimento a possibilidade de olhar para o vídeo como uma extensão do corpo na relação com o movimento. Apesar da dança ter estado presente na imagem em movimento desde os primórdios do cinema, o vídeo-dança enquanto género surgiu no início dos anos 70.

Inicialmente, o vídeo estava simplesmente associado à dança ao nível do registo dos espectáculos para arquivo, análise, estudo e memória futura. Os espectáculos de dança clássicos passaram a ser registados com o surgimento do sistema multi-câmara para serem tele-emitidos. Contudo, o vídeo-dança é um género recente, em desenvolvimento exponencial a nível mundial, sendo muitos os coreógrafos que trabalham hoje no universo digital criando os seus próprios vídeos, muitas vezes em associação com realizadores.

A simbiose coreográfica do corpo-imagem, a relação do corpo e da imagem é reflectida numa sequência de planos, ordenados no tempo, ao qual se soma a dimensão da escala, ângulo e enquadramento dos planos, a luz e as atmosferas sonoras. A câmara é coreografada em sintonia com a coreografia do corpo sob o efeito de determinada luz e com um determinado ponto de vista. A articulação da luz e do som na montagem sublinham a presença do corpo e da sua interacção com a câmara.

A possibilidade de filmar e reproduzir os movimentos realizados por intérpretes trouxe, num primeiro momento, a inovação do estudo técnico da dança, expansão e repetição do conhecimento da área.

O desenvolvimento das tecnologias da imagem/som permitiram a pesquisadores e criadores que o registo da dança passasse pela imagem em movimento e menos pela escrita ou imagem estática.

Num segundo momento, o vídeo deixa de ser apenas um meio de registo e reprodução e passa a ser parte componente da criação. As primeiras experiências nessa direcção são atribuídas a pesquisadores da área, principalmente a coreógrafos como Merce Cunningham. O seu primeiro vídeo-dança foi Westbeth, produzido em estúdio pelo realizador Charles Atlas, no Outono de 1974, e estreado em 1975. Westbeth é uma colagem de seis partes e foi baseada na constatação de que a televisão muda o nosso modo de olhar e altera a nossa percepção de tempo.

Existe por isso uma necessidade crescente de existirem criadores e investigadores ligados ao movimento do corpo em associação com as imagens em movimento. A Pós-Graduação em Vídeo-Dança é um programa único em Portugal de especialização nesta área destinado a profissionais ou estudantes graduados com interesse em adquirir e desenvolver aptidões nesta área.

O vídeo-dança é um dos resultados da interferência da tecnologia no campo artístico da dança. Podemos atribuir o seu desenvolvimento a factores relacionados com a facilidade de acesso a equipamentos técnicos como a câmara de filmar, computador e internet, provenientes do avanço tecnológico nos nossos dias, ou ainda à interdisciplinaridade cada vez mais evidente entre diferentes linguagens artísticas.


Objectivos

Visamos, assim, desenvolver criadores das áreas do corpo e da imagem, num cruzamento de possibilidades transdisciplinares, qualificados e confiantes para que possam trabalhar numa variedade de abordagens no género vídeo-dança, capazes de reflectir e avaliar criticamente a sua prática.

Dirigido à comunidade artística das artes performativas e do cinema: realizadores, coreógrafos e intérpretes com conhecimentos, mínimos, de vídeo.
- Criar uma aproximação à prática profissional com posicionamento internacional através de algumas parcerias com projectos e universidades europeias, destaque para o EVDH – European Vídeo Dance Heritage.
- Desenvolver o potencial corporal e imagético numa coerente dimensão narrativa.
- Ampliar as experiências práticas e teóricas.
- Compreender crítica e analiticamente o cruzamento do corpo com a tecnologia.


Plano de estudos

Trata-se de um curso predominantemente prático e intensivo que integra as linguagens do corpo e da imagem, estudando o movimento do corpo em articulação com as imagens em movimento e a coreografia da câmara segundo um determinado ponto de vista. Destaca-se a aquisição prática de competências técnicas nestas linguagens, oferecendo ainda a oportunidade de integrá-las em projectos e performances. No fundo podemos falar da inscrição do corpo na imagem em movimento e da imagem em movimento num evento de dança/performance.

O curso é desenhado de forma a preparar intérpretes com competência física, emotiva e visual investigando, através de uma série de abordagens contemporâneas, o movimento do corpo e da câmara. É explorada de forma profunda a perspectiva do intérprete com a câmara, é dada importância ao desenvolvimento das técnicas de imagem e som, bem como a sua articulação na montagem.

Todo o trabalho prático é também acompanhado de uma contextualização histórica e teórica estruturando e tornando o processo de aprendizagem mais coeso. Trata-se de partilhar a base essencial para um intérprete/performer poder trabalhar a imagem e o som em movimento, tanto em espectáculo, como para o ecrã, de forma a torná-lo mais autónomo e experiente relativamente à área do vídeo-dança.

A criação de narrativas visuais e sonoras em torno da dança dentro e fora do ecrã é um objectivo do curso. A dança no cinema, publicidade e vídeo musicais. O registo da dança como ferramenta de trabalho, arquivo ou exibição televisiva através do sistema multi-câmara.

Ao longo do programa haverá uma progressiva introdução à produção nacional e internacional de vídeo-dança e utilização da imagem no espaço cénico, às estruturas de produção, ao universo de festivais que se vão demarcando. Um incentivo seguro é saber que o processo é continuado e elaborado numa via profissionalizante.

São nossas prioridades a atenção ao processo integral de cada aluno, com o propósito de o ajudar a conhecer e cultivar o seu talento, e o desenvolvimento da técnica e da capacidade de trabalhar em grupo.

Por fim, pretende-se que o vídeo-dança seja uma criação híbrida, nascida de um diálogo entre o movimento/dança e o vídeo, no qual estas linguagens se tornam indissociáveis. Este curso estabeleceu uma parceria com o Festival InShadow – Vídeo, Performance e Tecnologias, que acontece anualmente em Lisboa, e prova como em Portugal o vídeo-dança tem marcado o território nacional cujos principais objectivos são estimular a investigação, a formação e a difusão de criações artísticas realizadas no campo da dança e da performance com mediação tecnológica.


Coordenação

Pedro Sena Nunes
Júlio Martín da Fonseca

Condições de acesso

Para a admissão nesta pós-graduação, os candidatos deverão conhecer pelo menos uma língua estrangeira (inglês, francês, italiano ou castelhano).

As candidaturas deverão dar entrada até 6 dias úteis antes do início do curso.
Os candidatos serão admitidos por decisão superior, sob proposta ao coordenador, após processo de avaliação documental.
A inscrição deverá ser efectivada até uma semana após a saída dos resultados da seleção.

Elementos a incluir na candidatura
Boletim de candidatura preenchido, Curriculum Vitae, certificados de habilitações académicas, fotocópia do bilhete de identidade, fotocópia do cartão de contribuinte e duas fotografias tipo passe.

Certificação

Os alunos com grau de licenciatura, que obtiverem, na média ponderada das classificações, nota igual ou superior a 10 (dez) valores e que registarem uma frequência superior a 65% das aulas, a ESTAL confere um diploma de aproveitamento e um certificado de conclusão, discriminando as notas por módulo.

Os alunos sem grau de licenciatura, mas com um currículo assinalável e que obtiverem, na média ponderada das classificações, nota igual ou superior a 10 (dez) valores e que registarem uma frequência superior a 65% das aulas, a ESTAL confere um certificado de formação contínua, discriminando as notas por módulo.

Aos alunos que não se submeterem à avaliação e que registem uma frequência superior a 65% das aulas, a ESTAL confere um certificado de frequência. Para a obtenção do diploma e do certificado, os alunos terão que elaborar um trabalho final, transversal aos diversos módulos sendo avaliado publicamente por um júri, a nomear pelo coordenador, ou através de outro processo de avaliação definido pelo mesmo.

Na conclusão desta pós-graduação, se o aluno consumar 328 Horas de contacto obterá 52 ECTS de acordo com a legislação em vigor. Se o aluno completar 376 Horas de contacto que correspondem á soma das 328 Horas mais as 48 Horas de Metodologia da Investigação, obterá 60 ECTS, de acordo com a legislação em vigor.

Preço

_ Valor: € 3800 (pago em 4 prestações)
_ Inscrição: € 120
_ Seguro Escolar: € 10


Modalidade de Pagamento

_ 1 x € 3420 (Prestação única_ até 18 de Setembro de 2015 _ 10% de desconto)

_ 2 x € 1805 = € 3610 (Primeira prestação_ até 18 de Setembro de 2015 e segunda prestação até 5 de Fevereiro de 2016 _ 5% de desconto)

_ 4 x € 975 = € 3800 (Primeira prestação_ até 18 de Setembro de 2015, segunda prestação até 4 de Dezembro de 2015, terceira prestação até 8 de Abril de 2016 e última prestação até 3 de Junho de 2016)

_ 12 x € 335 = € 4020 (Prestação mensal do dia 5 de Setembro de 2015 até ao dia 5 de Agosto de 2016 _ 5.8% de agravamento)